quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dinheiro – parte 01


Voltei a escrever aqui por causa dele.

Eu tive uma educação financeira muito confusa. Meus pais nunca foram ricos, mas tinha um certo conforto. Agora, depois que sai de casa, tenho menos do que não tinha antes!

O problema começou quando eu era criança. Queria um vídeo-game novo e escutava por meses que não tinha dinheiro, mas via meus pais trocando de carro todo ano. Nunca me importei com roupas de marcas famosas, mas minha mãe sempre me vestia com elas e ainda reclamava que as sujava.

Nasci no interior de São Paulo e tinha uma vida que poucos tem hoje em dia. Não me refiro ao que podia ser comprado, as coisas que eu dava valor não tinham preço. Minha ambição não era ter o ultimo modelo de vídeo-game (que por sinal era o avançadíssimo SNES) ou ter uma mini-moto 2 tempo. Minhas ambições eram atravessar o quarteirão indo por cima do telhado dos vizinhos, era esperar chover para andar de bicicleta, era desmontar 2 carrinhos de brinquedo e tentar juntar as melhores partes deles, era esperar minha vó começar a colocar bobs no cabelo e ir escalar a arvore em frente a sua casa. Eu era feliz por que eu não precisava de dinheiro para me divertir. Porem quando eu precisava do dinheiro dos meus pais, eu não conseguia ou quando conseguia, era de uma forma bem confusa pra minha cabeça.

Uma das primeiras coisas que aprendi era que a maioria das coisas que queria, eram erradas ou não serviam para mim. Se eu queria uma bicicleta de 18 marchas, meus pais me convenciam que a de 15 marchas ia fazer a mesma coisa. Se eu queria um SNES, um Mega Drive ia fazer a mesma coisa. Um lanche da lanchonete do lado de casa era a mesma coisa que um McDonalds, só que mais caro. Cresci achando que os meus pais sabiam melhor do que eu o que era melhor pra mim.

Dei meu poder de escolha e decisão para eles e esqueci de pedir de volta.

De um modo simplificado uma pessoa é construída da seguinte forma: sistema de crenças – emoções – atitudes. Meu sistema de crenças em dinheiro era: oque vem fácil, vai fácil; precisa trabalhar muito para ter dinheiro; precisa ser competente; é mais fácil gastar do que ganhar. Mas nesse sistema incluía os assuntos indiretos que eram a falta de competência por não saber o que é melhor pra mim, sempre gastava em coisa inútil e nunca dava valor no dinheiro suado que eles ganhavam. Dinheiro sempre me gerava uma emoção de afastamento. Era algo difícil de conseguir e de certa forma, eu não merecia ter por falta de competência. Juntando a parte religiosa distorcia, achava que dinheiro era mal, era coisa do capeta. Ou seja, tudo girava em torno do meu afastamento do dinheiro, sempre tendo que depender dos outros para ter, sempre tentando fugir do diabo para ter dinheiro. A concepção psicológica de que não queria ter dinheiro mas precisa dele era algo muito difícil de entender.

Não culpo meus pais por esse ensinamento ou falta dele. Talvez fosse algo que foi passado para eles pelos próprios pais e assim em diante. Algo que vem sendo passado através de inúmeras gerações, o conceito você não tem habilidade suficiente para ter tudo isso ou tudo aquilo. Eu fui educado como se tudo tivesse que ser difícil de conseguir.

Hoje em dia eu sei que tudo isso não passou de uma aprendizado. Eu não teria chegado aonde cheguei se tivesse tido muito dinheiro. Foi a falta dele que me fez retrair, criar um casulo de reflexão e ver oque realmente estava acontecendo. As respostas que procurava no mundo exterior custavam dinheiro, então comecei a procura-las dentro de mim.

Sou grato por toda experiência. Sou rico espiritualmente, mas cansei de ser pobre fisicamente.

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